Domingo, 1 de Julho de 2007
Definitivamente isolado a minha existência torna-se menos adversa. Pinto e escrevo num regular e crescente sossego. Exponho em Lisboa, Porto, Paris e Nova Iorque e um pouco por todo o mundo e sem partidos políticos fui condecorado e homenageado.
Publico em 1983, «Le Sens de l’Art», a que se seguem vários outros títulos, monografias e textos estéticos onde destaco: «Da Vida à Obra de Nadir Afonso», «Universo e o Pensamento», «Van Gogh», «O Fascínio das cidades», «Da intuição artística ao raciocínio estético», «As Artes: Erradas Crenças e Falsas Críticas» e tenho quadros espalhados por vários museus mundiais. 
Não pretendo ser cientista; no entanto li, escrito por outros, o conteúdo da minha obra «Universo e o Pensamento» de especulação filosófica nas primeiras páginas dos jornais e o plagiador muito cumprimentado; assisti a intelectuais apresentarem ideias minhas sem as respectivas aspas ou referirem o meu nome de autor.
Se uma lição de moralidade pudesse ser entendida nas minhas (e noutras) memórias de artista, talvez fosse finalmente reconhecido por lei o fracasso das instituições culturais. Apoia-se e promove-se, não os verdadeiros criadores mas indivíduos insinuantes, fura-vidas que gravitam à volta das instituições. Tenho consciência que a minha obra é única, original e de dimensão universal, mas reparo que «bons artistas» não são aqueles que possuem uma obra válida mas aqueles que imitam o que de vanguarda se faz lá fora e privam com aqueles que os promovem.
Quatro temas que se conjugam e desenvolvem nos nossos três precedentes estudos e nos quais as teorias físicas da relatividade, as concepções filosóficas de idealistas e de materialistas e as teses biográficas sobre Van Gogh, são repostas em questão. Imodéstia minha? Sou português, transmontano e filho das Terras de Barroso. Aprendi de tradição a ser humilde, a louvar os mestres e a viver até aos oitenta e seis anos na simplicidade que a minha inferior condição sempre me concedeu. Um balanço da minha existência e dos trabalhos a que me devotei ressoa-me subitamente absurdo.
Assim termino o último livro ainda por publicar: «Estou certo que tarde ou cedo serão acareados à evidência do que aqui deixo escrito; e mais uma vez, espero que qualquer credenciado cientista eleve, em seu nome, estes escritos, ao nível dos postulados. Todo o cientista credenciado que tenha mais possibilidades do que o autor, em promover a divulgação da obra, será mais facilmente reconhecido».
 
© Nadir Afonso


publicado por Laura Afonso às 11:52 | link do post | comentar

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